terça-feira, 18 de maio de 2010

GEOGRAFIA AO VIVO Setembro de 2009

Para visualizar os programas entre em: www.cursoanglo.com.br

24/09/2009: Biomassa: o poder dos trópicos
Após as definições básicas sobre energia e seus usos, é discutida a questão da biomassa e sua situação no Brasil e no mundo. São apontadas as perspectivas de ampliação de sua produção. É feita a relação entre a expansão do uso da biomassa e a ampliação da frota de veículos.

17/09/2009: Afeganistão: país sem saída?
Após a discussão da divisão regional do Oriente Médio e da Ásia Central, é discutida a posição geográfica do Afeganistão (sem saída para o mar) e seu impasse político, originado pela resistência popular à invasão, primeiramente soviética, e atualmente norte-americana. São apresentadas as particularidades que o país apresenta, sob o ponto de vista natural e humano, e as perspectivas da manutenção da ocupação.

10/09/2009: Geografia e a literatura regional
Uma das inúmeras interdisciplinaridades que a Geografia realiza, dentro da análise de seus objetos de estudo, é com a Literatura brasileira. São apresentadas as Regiões Literárias, segundo o IBGE, e discutidas as obras de alguns dos mais importantes escritores brasileiros e como eles exploram as paisagens de alguns pontos do Brasil.

03/09/2009: A exploração de petróleo no Pré-Sal
Primeiramente é explicado o conceito geológico de pré-sal. Depois é feita a análise de suas descobertas recentes, suas perspectivas e sua localização. É dimensionada também a importância dessa descoberta dentro do quadro de esgotamento do petróleo nas próximas décadas e os impactos que o aumento da produção de petróleo poderia ter na economia brasileira das próximas décadas.

GEOGRAFIA AO VIVO Programas de Outubro de 2009

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29/10/2009: Amazônia azul
Com uso de mapas é definido o termo Amazônia Azul. São analisados os tratados que definiram os limites dos mares territoriais e aplicados esses conceitos ao território nacional. Discute-se ainda os recursos presentes no mar territorial brasileiro, suas potencialidades e as dificuldades para a sua exploração.

22/10/2009: Revitalização das áreas urbanas centrais
Após a definição das causas da decadência e deterioração das áreas centrais das grandes metrópoles, são definidas as ações do Estado e do setor privado para a sua revitalização. São apresentados exemplos nacionais e internacionais desse processo.

08/10/2009: A polêmica da Nova Base Militar norte-americana na Colômbia
Por meio de mapas e imagens é apresentada a localização das atuais e futuras bases militares norte-americanas na Colômbia. São discutidas as causas e consequências desse processo e a geopolítica da região assentada nos atritos com a Venezuela.

01/10/2009: O desenvolvimento tecnológico brasileiro
São apresentadas as bases conceituais relativas ao conceito de tecnologia e sua importância econômica e geopolítica. Depois é discutida a evolução da tecnologia brasileira, sua posição no cenário internacional e seus problemas. Após a definição do que são tecnopolos são apontadas e discutidas a posição de alguns deles no Brasil.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Catedral de























Arcos de























Gotigo 1678 e torre. ...

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terça-feira, 24 de junho de 2008




TODAS 5ª FEIRAS – 15:00H


14/08 Marcelo
CAFTA: a América Central além das plantations

21/08 Pablo
Cidades planejadas

28/08 Augusto
As castas na Índia

04/09 Márcio
Brasil: perspectivas do comércio externo

11/09 Koji
Imperialismo brasileiro na América do Sul

18/09 Moraes
Brasil: a desconcentração industrial

25/09 Marcelo
Turquia: Europa ou Ásia?

02/10 Pablo
PAC: investimento em energia e suas críticas

09/10 Augusto
Hotspots

23/10 Márcio
Transportes: a crise aérea brasileira

30/10 Koji
A indústria do turismo

06/11 Moraes
Amazônia: o arco da devastação

13/11 Marcelo
Geopolítica da água: escassez e conflitos

domingo, 22 de junho de 2008

CONFLITOS ÉTNICOS NA ATUALIDADE


1. INTRODUÇÃO
Na obra considera um clássico no assunto, "The politics of ethnic conflict" de John McGarry e Brendan O'Leary (United Kingdom: Routledge, 1993), são analisadas as formas de ação dos Estados sobre os territórios e conflitos étnicos.
Segundo essa obra, etnia e território são a base da identidade nacional, forjadas desde a Antiguidade, em especial pelos romanos, que praticavam o jus sanguinis (direito de sangue, entenda-se modernamente etnia) e o jus soli (direito de solo, entenda-se aqui território). Esses são os princípios jurídicos pelo qual, até hoje, uma nacionalidade pode ser dada a um indivíduo de acordo com sua ascendência (etnia) ou seu local de nascimento (território). Os Estados utilizam esses princípios, em diferentes graus, para determinar que pessoas fazem ou não parte da Nação, ou seja, quem é cidadão nacional e quem é estrangeiro.
As bases do nacionalismo, portanto, estão assentadas nas pessoas e no território. Para um Estado qualquer o problema prático que isso cria está na delimitação das fronteiras, já que as fronteiras políticas (território) quase nunca coincidem com a área ocupada pelos diferentes grupos étnicos.
Muitos conflitos étnicos surgem quando pessoas de um mesmo grupo étnico ocupam um território que é administrado por dois ou mais Estados contínuos. Isso ocorre muito na África e na Europa oriental e central. Outra origem de conflitos está no fato de que muitos grupos étnicos consideram como seu um espaço territorial que está total ou parcialmente ocupado por outro grupo étnico. São bons exemplos atuais a Irlanda do Norte e Pamplona, no País Basco.
A formação dos Estados nacionais passou, em geral, por duas fases:
 reivindicação da igualdade para todos os cidadãos – nessa primeira fase formou-se a conscientização dos direitos individuais e a identidade nacional (em muitos casos, no entanto, a igualdade perante a lei não é suficiente para evitar a discriminação racial, como ocorre até hoje com a comunidade negra nos Estados Unidos);
 reconhecimento das diferenças dos grupos subordinados – na segunda fase os grupos subordinados passa a reivindicar o reconhecimento de suas particularidades étnicas, mas isso é incompatível com a reivindicação da igualdade para todos, feita anteriormente. Passa-se a afirmar que os membros da comunidade étnica são diferentes e que essa diferença deve receber um reconhecimento institucional (é o caso do uso de cotas no Brasil, que considera especiais os grupos minoritários, em especial os negros).

A reivindicação de reconhecimento das diferenças étnicas tem início no plano individual, mas pode se expandir para o plano coletivo, gerando as seguintes situações:
 Reivindicação de igualdade de cidadania – que se estende desde a igualdade formal (leis) a medidas de discriminação positiva, para assegurar a equiparação econômica (caso do Brasil com as cotas);
 Reivindicação de direitos culturais – que se estende desde o uso de uma língua minoritária, nas relações pessoais, até o direito de receber educação pública nessa língua (caso dos bascos, proíbidos de usar sua língua e símbolos nacionais durante a ditadura de Franco);
 Reivindicação de reconhecimento político institucional – que se estende desde a autonomia a nível local até o federalismo ou divisão de poder;
Reivindicação de secessão – que se estende desde o reconhecimento e retificação de fronteiras regionais até a aceitação e reconhecimento da independência política.

Sob o ponto de vista da sobrevivência do Estado, estas reivindicações tornam-se mais sérias à medida que se progride da primeira para a última, onde a secessão pode gerar um conflito étnico de grandes proporções.


2. POLÍTICAS ESTATAIS PARA CONFLITOS ÉTNICOS
Ainda segundo a obra citada, as diferenças étnicas e os conflitos por elas gerados são administrados pelos Estados por meio de políticas, em geral bem planejadas e racionalmente aplicadas. Ao longo da história podemos perceber duas grandes categorias de comportamento dos Estados frente a esse problema e oito ações básicas por ele realizadas:

Eliminação das diferenças (em geral baseada na coersão)
1ª Transferência forçada de populações
2ª Genocídio
3ª Divisão e/ou secessão
4ª Integração e/ou assimilação

Administração das diferenças (muitas vezes baseada em consenso)
5ª Controle hegemônico
6ª Arbitragem (intervenção de terceiros)
7ª Regionalismo e/ou federalismo
8ª Divisão de poder

Nos últimos séculos podemos encontrar vários Estados praticando essas ações políticas e, algumas vezes, duas ou mais delas são usadas concomitantemente. São bons exemplos: o governo de Hittler, na Alemanha, que praticou transferências forçadas de populações, controle hegemônico dos Estados aliados e genocídio, em especial de judeus; e os Estados Unidos, onde ocorreu o genocídio da milhões de indígenas, a assimilação de mais de 20 milhões de imigrantes e o controle hegemônico dos negros escravos, submetidos à cultura dos brancos.
Vejamos cada uma das oito ações.

1ª - TRANSFERÊNCIA FORÇADA DE POPULAÇÕES
Ocorre quando um povo, tribo ou comunidade é obrigada a migrar, por pressões econômicas, militares ou políticas, ou é fisicamente transferida da área em que vive para outro lugar qualquer.
As transferências de população são comuns após o fim de guerras civis, ocupação espacial (com ou sem guerras) ou períodos de depressão econômica. Raramente essa política encerra um conflito étnico. São bons exemplos os conflitos étnicos criados pela expansão soviética após 1917 e o posterior fim da URSS, em 1991.
A transferência de quase 1 milhão de indígenas, para as reservas criadas pelo governo, nos Estados Unidos, no final do século XIX, foi um dos primeiros exemplos modernos dessa prática de ocupação territorial e eliminação das diferenças étnicas por transferência forçada de população e prática do genocídio.















O mapa mostra a redução do espaço destinado à população indígina que teve suas terras confiscadas e invadidas pelos brancos, muitas vezes inviabilizando a sua sobrevivência, o que caracteriza genocídio.

2ª - GENOCÍDIO
O termo foi criado pelo advogado polonês Raphael Lemkin (24/06/1900 - 28/08/1959), no final da Segunda Guerra Mundial, pela união da palavra grega génos (família ou tribo) com o verbo latino caedere (matar), para referir-se à matança de judeus pelos nazistas. Hoje, define-se genocídio como o assassinato deliberado de pessoas ou a sistemáica eliminação física de um grupo social, motivado por diferenças étnicas, religiosas e/ou políticas. Aplica-se também quando ocorre a morte indireta de um grupo social pela destruição dos meios sociais e naturais necessários à sua sobrevivência.
Essa política foi largamente aplicada por vários Estados e governos ao longo da história, sendo bons exemplos o extermínio dos povos indígenas, durante a época da colonização européia na América Latina, e a eliminação de vários povos negros africanos, durante o imperialismo europeu na África.
Em 1951, foi criada na ONU a Convenção para a prevenção e a repressão do crime de genocídio, o que não eliminou essa prática. São exemplos de genocído o dos armênios, conduzido pelos turcos; a deportação dos chechenos, conduzida pela Rússia; e o assassinato de curdos, conduzido por Saddam Hussein, no Iraque.






Agente laranja é uma mistura dos herbicidas 2,4-D e o 2,4,5-T que contém um veneno, a dioxina TCCD. Foi usado como desfolhante pelos norte-americanos durante a Guerra do Vietnã. A dioxina se espalhou pela cadeia alimentar, chegando aos humanos, o que causou defeitos de nascença em milhares de pessoas, ato classificado como genocídio.

No Brasil, sob influência dessa Convenção, o genocídio passou a ser crime desde a Lei nº 2.889, de 1º de outubro de 1956. Em agosto de 2006, no julgamento pelo genocídio contra o povo Yanomami, de Roraima, o Supremo Tribunal Federal concordou com a tese de existência do crime de genocídio, confirmando a condenação de 22 garimpeiros.

3ª - DIVISÃO E/OU SECESSÃO
A divisão territorial ou a secessão podem resolver conflitos étnicos, entre povos que não queiram mais viver juntas, por meio da repartição do espaço nacional. Nem sempre essa divisão territorial e/ou secessão, com a criação de novos Estados, é uma política de coersão, já que ela pode se basear no direito à autodeterminação dos povos. É comum, no entanto, que uma divisão territorial ou uma secessão, ao invés de acalmar a região, acabe por criar conflitos ou originar migrações de populações, especialmente quando os recursos naturais se tornam escassos em um dos territórios formados.
São exemplos dessa ação a formação do Bangladesh, que era parte do Paquistão, por imposição britânica durante o domínio colonial da Ásia Meridional, e a URSS, que era formada desde o começo do século XX por 15 repúblicas, sob hegemonia da Rússia, que se esfacelou a partir de 1990. São também citados como exemplos modernos de possibilidade de secessão: o Québec, no Canadá, onde predomina a população de origem francesa; os bascos do norte da Espanha; os corsos, na ilha da Córsega, possessão francesa; os escoceses e galeses da Grã-Bretanha; e o Tibete, na China, dentre outros.


4ª - INTEGRAÇÃO E/OU ASSIMILAÇÃO
É a tentativa de eliminar as diferenças étnicas dentro de um Estado por meio da integração ou assimilação das comunidades minoritárias ou de menor poder. Assenta-se na ideologia de que é necessária uma identidade comum para que se conquiste a igualdade entre os povos de uma nação ou para que o Estado se fortaleça.
Essa forma de ação do Estado (conhecida como Ação Positiva) serviu de base para a os movimentos dos direitos civis, na década de 1960, nos Estados Unidos e as posteriores leis criadas para promover a igualdade racial e a inclusão social. É a mesma base da política brasileira de cotas, recentemente introduzida no Brasil.

ASSIMILAÇÃO NOS ESTADOS UNIDOS:OS DIREITOS CIVIS DOS NEGROS
Nos Estados Unidos, até a década de 1950, os negros não tinham direito a voto, eram segregados socialmente e compunham a parcela mais pobre da população. A luta pela igualdade de direitos civis teve como marcos iniciais um incidente envolvendo segregação racial nos transportes públicos em Montgomery, no Alabama, e a decisão da Corte Suprema, em 7 de maio de 1954, que obrigou a integração racial nas escolas.
A resistência à integração, principalmente por parte da população branca do sul, gerou violentos distúrbios de rua em toda a década de 1960. Em outras regiões, embora a população branca evitasse manifestações explícitas de preconceito, os negros eram segregados na disputa por um emprego, na compra de imóveis, nos restaurantes, nas escolas etc. Paralelamente a isso, imensas levas de população negra migraram do sul, muito mais racista, para o norte, formando guetos, como o bairro do Harlem, em Nova Iorque.














Martin Luther King Jr. (1929-1968) recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1964. Na foto, ele se dirige à multidão que, em 1963, formou a marcha pelos direitos civis, em Washington, DC.


Duas correntes políticas opostas emergiram dessa situação: uma optava por vias pacíficas (lutas no Congresso, pressões sobre a Corte Suprema, obtenção de apoio de intelectuais etc.) e outra orientava a luta de forma mais radical, elegendo a violência como a única tática possível e eficaz (o Black Power, por exemplo). A radicalização de parte do movimento negro, gerou uma reação branca mais violenta e explicita, o que criou um clima de guerra racial. O ápice desse período aconteceu com o assassinato do líder pacifista negro Martin Luther King, em abril de 1968.
Na década de 1970, à medida que se obtinham vitórias legais contra a segregação, o movimento negro foi perdendo penetração e seus protestos foram se reduzindo a fatos isolados. Entretanto, no plano socioeconômico, o preconceito racial não desapareceu e, embora a situação econômica dos negros tenha melhorado, ela ainda está longe dos padrões dos brancos. Veja alguns dados:
• Em 1960, somente 13% dos negros faziam parte da classe média. Em 2005, eles eram cerca de 43%.
• Em 2005, a renda média anual dos brancos era de 64.354 dólares, enquanto a dos negros estava um pouco acima de 43.600 dólares.



Quando realizada com participação dos grupos envolvidos, essa política pode ter bons resultados. Caso contrário pode resultar em oposição sistemática do grupo minoritário, como é o caso das comunidades indígenas norte-americanas e francesa canadense, que resistem à integração e reivindicam autodeterminação.
Políticas autoritárias desse tipo não são facilmente aceitas pelas minorias, como mostram os casos do País Basco (Espanha) e da Irlanda do Norte (Reino Unido). A imposição da integração e/ou assimilação pode resultar em um genocídio, desembocar em um conflito étnico ou ainda em uma guerra civil.

5ª - CONTROLE HEGEMÔNICO
Tem sido a maneira mais comum de estabilizar conflitos étnicos potenciais. Ao longo da história vimos vários exemplos de impérios e regimes autoritários que controlavam seus territórios, e os povos que neles viviam, por meio da coerção. Outras vezes, no entanto, essa dominação ocorre de forma relativamente consensual, gerando uma hegemonia, já que os povos subjulgados não se sentem suficientemente fortes para contestar o poder central (pelo menos temporariamente).
São citados como exemplos o controle do Sul pelo Norte, após a Guerra de Secessão nos Estados Unidos, e o domínio eslavo (russo) sobre as demais etnias, durante a existência da União Soviética. Nos processos de democratização, quando os laços de dominação são afrouxados, pode haver contestação do poder central, como ocorreu após 1985, quando a Glasnost incentivou os nacionalismos nas Repúblicas Soviéticas, o que levou ao fim do país em 1991.

6ª - ARBITRAGEM (INTERVENÇÃO DE UMA TERCEIRA PARTE)
É a forma de administrar diferenças étnicas pela ação de uma parte neutra e que atue de forma imparcial. É essencial que essa parte não esteja diretamente envolvida no conflito, para que conquiste a concordância e o apoio dos grupos rivais.
Na arbitragem a nação que intervem é que toma as decisões. Isso é diferente da mediação, quando os mediadores apenas facilitam as relações entre os Estados ou grupos em conflito. Tanto a arbitragem quanto a mediação podem ser internas (entre grupos em conflitos) ou externas (envolvendo Estados). Nesse último caso destacam-se as intervenções da ONU, quase sempre realizadas quando o conflito adquire grandes dimensões ou se torna praticamente sem solução, segundo a opinião da comunidade internacional ou do Conselho de Segurança.

7ª - REGIONALISMO E/OU FEDERALISMO
O regionalismo pleno ou a federalização só são possíveis em sociedades democráticas, que formam um Estado multicultural, onde se respeitam os direitos das diferentes etnias. Dessa forma o poder é compartilhado, o espaço geográfico dividido em micro-unidades, todas elas com igual dose de soberania.
O regionalismo ou cantonização (vem da palavra cantão, unidade administrativa semelhante ao município brasileiro) ocorre quando se aplica o princípio da subsidiariedade, ou seja, a prática de colocar o poder no nível administrativo mais baixo (no caso, o município ou cantão). Isso é muito diferente da descentralização, já que envolve a definição de limites entre as unidade administrativas, segundo os grupos étnicos presentes no Estado.
No federalismo, os estados ou províncias são muito maiores que os municípios ou cantões. O governo central (federal) e o dos estados (estadual) apresentam poderes separados e há representantes (senadores e deputados) em camaras separadas, além de Constituições estaduais.
Os exemplos históricos mostram que o federalismo nunca foi muito eficiente na administração de conflitos étnicos. Os únicos países em que essa forma de administração do Estado teve um certo sucesso foram Canadá, Bélgica e Suíça. Mas, nos três casos, o que ocorreu de fato foi um regionalimo, ou seja, na prática os diferentes grupos étnicos ocuparam espaços geográficos bem definidos, evitando conflitos.

8ª - DIVISÃO DO PODER
Em uma sociedade democrática, o poder político pode ser dividido ou compartilhado por diferentes grupos étnicos, tanto no nível do Estado como no da região ou município. As formas mais comuns dessa prática política têm sido as seguintes:
- Coligação de governo, com participação de todos os partidos políticos que representam os diferentes grupos étnicos;
- Representação política proporcional à repartição étnica do País, região ou município;
- Autonomia para as diversas comunidades étnicas e respeito à diversidade cultural;
- Poder de veto constitucional para as minorias étnicas.

A divisão de poder só tem chance de sucesso em sociedades onde a divisão étnica é moderada. Além disso é um sistema de governo que se desestabiliza com facilidade, pois exige líderes políticos com muita autonomia e baixo risco de substituição.
Um exemplo atual de tentativa de divisão do poder para a solução de conflitos étnicos está sendo praticado no Ulster, com o Governo Regional da Irlanda do Norte, que partilha o poder entre católicos e protestantes (até recentemente a região era administrada por Londres).



3. O CHOQUE DE CIVILIZAÇÕES
Segundo o cientista político norte-americano, Samuel Huntington, o século XXI será marcado não mais pelo choque entre os blocos socialista e capitalista, mas sim por uma multiplicação dos choques entre culturas (análise feita em seu artigo para a revista Foreign Affairs, 1993, publicada mais tarde na forma de livro: The Clash of Civilizations and the Remaking of World Order, de 1996). Segundo ele o mundo estaria dividido em oito blocos civilizatórios, como mostra o mapa:























Recentemente Huntington afirmou que os choques civilizatórios passariam a ocorrer também dentro de blocos menores de nações e até dentro de nações de grande diversidade cultural.

Os oito blocos são:
• Civilização Sínica: área de influência da cultura confuciana, tendo como foco principal a China.
• Civilização Japonesa: única civilização que se estende por um só pais, onde ocorreu a mistura de aspectos da cultura sínica com a dos povos altaicos (atual Rússia oriental).
• Civilização Hindu: expandiu-se a partir do vale do rio Indo, com base na cultura hinduista, com foco principal na Índia.
• Civilização Islâmica: expandiu-se a partir de Meca, na atual Arábia Saudita, e assimilou aspectos das culturas, turca, libanesa e persa.
• Civilização Ocidental: originada da cultura grego-romana, sob influência da religião judaico-cristã, e mais tarde do Iluminismo francês.
• Civilização Ortodoxa: sob influência do cristianismo, ocupa a região da Rússia e vizinhanças.
• Civilização Latino-americana: ramo da Civilização Ocidental, formado pelo sincretismo das culturas européias com as populações indígenas locais e negras trazidas como escrava.
• Civilização Subsaariana: civilização estremamente multifaceta, com forte influência de religiões animistas e organização social tribal.
Veja algumas das idéias de Huntington, que têm sido muito vinculadas pelos meios de comunicação:
 A base da associação e do antagonismo entre países se relaciona à sua identidade, isto é, à sua herança cultural, língua e religião, que terão um papel crescente na política. Muitos fatos estão comprovando essa teoria;
 Cada vez mais as relações entre os países serão reflexo dos laços culturais que os unem ou do antagonismo de uns para com outros. No século XX, a ideologia ganhou destaque por causa da revolução socialista na Russa e pela ascensão do fascismo, que competiam entre si. No século XXI vemos a democracia liberal conquistando seu lugar em todo mundo. Portanto, defendo que as identidades culturais e os antagonismos desempenharão um papel da maior importância nas relações entre os Estados.
 A Cortina de Ferro se deslocou e hoje separa as populações cristão-ocidentais dos muçulmanos. Embora Islã não seja uniforme culturalmente, e tampouco o Ocidente seja homogêneo, há elementos comuns dentro de cada um desses blocos, embora exista uma diferenciação com base na religião;
 Essa nova Cortina de Ferro é bastante permeável, já que ambos os lados têm divisões e muitos países ocidentais têm interesses políticos e econômicos em países muçulmanos. A política mundial é extremamente complexa e os países têm interesses distintos, o que os leva a fazer aliados aparentemente estranhos;
 A Civilização Islâmica se tornará mais coesa no futuro, o que já pode ser observado pelo crescimento de movimentos políticos trans-islâmicos, que procuram atrair os muçulmanos de todas as sociedades. Nada impede que os líderes das sociedades muçulmanas cooperem uns com os outros e que no futuro surja na região alguma organização semelhante à União Européia;
 Não se sabe ao certo qual país despontará como potência dominante no Oriente Médio. Israel está aparelhado militarmente, mas é um país pequeno e os demais povos da região são muçulmanos. O Irã é uma possibilidade, mas o país é xiita, ao passo que a maior parte dos árabes são sunitas. A Turquia é um Estado importante, mas não é árabe. A Arábia Saudita tem dinheiro, mas sua população é relativamente pequena. O Iraque era um provável candidato a líder, mas acabou seguindo a direção errada;
 Creio que o fundamentalismo é uma atitude radical do indivíduo para com sua própria identidade e civilização quando comparadas com as identidades e culturas das outras pessoas. Fundamentalismos sempre existiram, em todas as sociedades e civilizações, mas só se torna um problema quando esse comportamento perde o controle e se torna o fator dominante, o que leva à opressão das minorias e até a guerras com sociedades vizinhas;


4. CONFLITOS NA MODERNIDADE
Na obra Uma História da Guerra, John Keegan, um dos mais importantes historiadores dos conflitos armados, afirma que em apenas 292 anos, dos últimos 5.500 anos da história, houve uma relativa paz entre os povos. Segundo ele, a "história escrita do mundo é, em larga medida, uma história de guerras, porque os Estados em que vivemos nasceram de conquistas, guerras civis ou lutas pela independência."
Há um certo consenso de se considerar como guerra todo o conflito que envolve dois ou mais Estados e que resulte na morte de pelo menos mil pessoas por ano. Segundo esse critério, durante todo o século XIX, ocorreram apenas 107 guerras. No século XX elas foram mais de 300 e envolveram cerca de 100 países, matando milhões de pessoas: somente na Primeira Guerra Mundial (1914-1918) morreram cerca de 10 milhões de pessoas e na Segunda Guerra Mundial (1939-1945) cerca de 50 milhões de pessoas.
As guerras estão se tornando mais numerosas. Somente entre 1945 e 2005 ocorreram mais de 250 guerras, com a morte de 30 milhões de pessoas, das quais a maior parte eram de civis, como demonstra o gráfico.






O historiador Eric Hobsbawm acrescenta que “(...) sem dúvida o século XX foi o mais assassino de que temos registro, tanto na escala, freqüência e extensão da guerra que o preencheu como também pelo volume único das catástrofes humanas que produziu, desde as maiores fomes da história até o genocídio sistemático."

No final do século XX havia guerras e conflitos em mais de 100 lugares do mundo, em grande parte devido ao ressurgimento do tribalismo, com diferentes etnias entrando em conflito a todo instante. Eles se tornaram tão numerosos que é quase impossível acompanhar os pequenos conflitos e o número de mortes decorrentes. Semanalmente ocorrem novos conflitos, alguns duram poucos dias, mas que resultam em dezenas ou centenas de mortos e feridos, sem contar os danos materiais. As notícias que vemos na mídia estão longe de retratar a verdadeira extensão e o número de conflitos armados no mundo atual, já que não há espaço e tempo suficiente na mídia para comentar todos.
A base étnica de muitos conflitos está no uso das manifestações culturais como elemento para diferenciar as minorias e mantê-las segregadas, gerando uma espécie de preconceito cultural ou preconceito étnico: há preconceito contra religiões, contra línguas, hábitos alimentares, formas de estimenta, etc.
Frente às ameaças exteriores, muitos desses grupos étnicos reagem com um progressivo isolamento, na tentativa de manter sua integridade. Quando vivem em guetos, tornam-se comuns diferentes tipos de proibições, como casamentos inter-raciais, prática de certas religiões, consumo de determinados alimentos, etc. Essa é a forma que o grupo encontra de se manter fora da influência da maioria que os circunda e que ameaça destruir seus valores.
Muitas vezes o impulso para as perseguições e o extermínio de minorias é dado por um Estado, como ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial na Alemanha, com base na ideologia nazista. Outras vezes o componente impulsionador é a religião dos grupos majoritários ou os interesses econômicos de certos grupos que têm acesso ao poder político.
O racismo é um ingrediente essencial do nacionalismo. O nacionalismo, por sua vez, é um movimento ideológico que procura atingir e conservar a autonomia, a unidade e a identidade nacional em nome de uma população. Os nacionalistas defendem a ideologia de que pertencer a uma nação constitui um sinal de identidade e que isso define uma comunidade como uma entidade soberana e única. Evidentemente, essa ideologia nega essa identidade às pessoas que tenham pele, idioma ou religião diferentes da maioria, gerando discriminação e exclusão.
O mundo contemporâneo tem sido marcado por diversos conflitos nacionalistas, étnicos e religiosos, até a pouco ofuscados pela Guerra Fria. Estes conflitos se intensificaram após a queda do Muro de Berlim (novembro de 1989) e o fim da URSS (dezembro de 1991).
Outro aspecto a ser considerado é que depois que guerras e conflitos terminam oficialmente, muitos civis continuam morrendo, vítimas de franco-atiradores, explosão de minas, fome, doenças, contaminação ambiental etc.
A questão das minas é especialmente problemática na atualidade. Uma mina terrestre custa três dólares para ser produzida; cerca de dez dólares para ser instalada; e mil dólares para ser desarmada. Segundo a ONU há mais de 100 milhões de minas, enterradas em cerca de 70 países.












As minas terrestres matam ou mutilam uma média de 24 mil pessoas por ano, em especial crianças

Em 1996 foi aberta a Convenção sobre Armas Desumanas, assinada por 55 países, que determinava a “humanização” das minas terrestres, convencionando-se que a partir de 2005 só poderiam ser fabricadas minas com mecanismo de autodestruição após 30 dias da instalação.
No ano seguinte, 98 países aprovaram um tratado que previa proibição de produção, utilização, armazenamento e exportação de minas antipessoais. Ficaram fora do tratado os maiores fabricantes de minas, Estados Unidos, China, Rússia e Índia, além de grandes usuários como Iraque, Israel e Paquistão.
Até 1995 os gastos com armamentos no mundo mantiveram-se uma média US$ 800 bilhões por ano, acelerando-se desde então. Segundo o Instituto Internacional de Estudos para a Paz de Estocolmo (Sipri - Stockholm International Peace Research Institute), em 2007 as despesas mundiais com armamento militar chegaram a US$ 1,4 trilhão, o que equivale a 2,5% do PIB mundial.
Os Estados Unidos gastaram US$ 547 bilhões, ou 45% do volume total, seguidos pelo Reino Unido (US$ 59,7 bilhões) e China (US$ 58,3 bilhões). O Brasil ocupa o 12º lugar, com US$ 15,3 bilhões. Os principais compradores de armas pesadas foram China (com 12%), Índia (8%), Emirados Árabes (7%), Grécia (6%) e Coréia do Sul (5%).
A ONG sueca informou ainda que no final de 2007 os oito países do clube atômico (Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França, China, Índia, Paquistão e Israel) possuíam 10.183 armas nucleares operacionais, sendo mais de 9 mil apenas nos dois primeiros países.
Há ainda o problema da participação crescente de crianças nos conflitos bélicos. A Convenção de Genebra e a Convenção da ONU sobre os Direitos da Criança proíbem que crianças participem de conflitos. No entanto, estima-se que há entre 50 e 250 mil crianças participando de conflitos na atualidade. Calcula-se que entre 1995 e 2005 morreram mais de 2 milhões de crianças em conflitos e 4 milhões ficaram mutiladas.
Outro grave problema é a questão dos refugiados. Segundo a Convenção de Genebra, assinada em 1951, o refugiado é “toda pessoa que por causa de temores de perseguição devido à sua raça, religião, nacionalidade, associação a determinado grupo social ou opinião política, encontra-se fora de seu país de origem e que, por causa desses temores, não pode ou não quer regressar ao mesmo”. Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ANCUR), em 1992 o contingente de expatriados era de 17,5 milhões. Em 2007 eles somavam mais de 21 milhões.



5. PRINCIPAIS CONFLITOS ÉTNICOS

A) ÁFRICA
Quando começaram as grandes navegações do século XV, havia na África mais de 8 mil povos, organizados em tribos e alguns impérios. Ao longo de cinco séculos, os europeus desarticularam essas pequenas nações tribais e organizaram territórios coloniais segundo os seus interesses. Esse fenômeno é visto, sob a ótica do colonizador, como um processo de partilha. O que ocorreu de fato foi um violento processo de unificação, pois os milhares de povos e territórios existentes foram confinados aos atuais 51 Estados-nação, com as fronteiras impostas pelos europeus.
O desenho das fronteiras modernas da África pelos colonizadores gerou duas situações opostas: alguns povos foram divididos, passando a viver em Estados diferentes, enquanto dezenas de outros foram obrigados a viver juntos, em um mesmo Estado. Isso explica, em grande parte, os crescentes conflitos étnicos e tribais que ocorrem no continente.

Acabada a Segunda Guerra Mundial, após quase quinhentos anos de expansão, o colonialismo e o imperialismo europeu entraram em crise, já que os países do continente estavam arrasados. Dentro desse contexto teve início a Guerra Fria, marcada pela ascensão de duas superpotências antagônicas: Estados Unidos (capitalista) e União Soviética (socialista).
Com o enfraquecimento das Metrópoles européias, desenvolveu-se na África um nacionalismo caracterizado pelo antiimperialismo e pela busca de soberania política e econômica. Esse nacionalismo viria a ser a base dos processos de independência do período: somente entre 1950 e 1980 surgiram mais de 45 novas nações na África.
Esse fato, entretanto, não trouxe paz para o continente, pois as fronteiras impostas pelos europeus, raramente modificadas com as independências, contribuíam para a eclosão de conflitos no continente, a maior parte deles relacionados a diferenças étnicas.
Com as independências, muitos dos novos Estados tentaram manter sua coesão territorial por meio da federalização, onde cada etnia pudesse estar representada no governo central. Mas, a grande diversidade de povos e as lutas pelo poder acabaram marginalizando muitas etnias, o que originou novos conflitos.
Durante o processo de independência política das nações africanas foi criada a OUA (Organização da Unidade Africana), fundada em 1963. Os Estados-membros se comprometeram com os seguintes princípios: respeitar as fronteiras herdadas dos colonizadores; respeitar a soberania dos Estados; não intervir nos assuntos internos dos Estados-membros. Isso, no entanto, não impediu os conflitos, dentre os quais destacaremos dois:
 Guerra de Biafra: ocorrida na Nigéria, é considerada como o primeiro grande conflito étnico africano do pós-colonização. Nela se opuseram os iorubas e os ibos. Em 1967, o governo ioruba retirou os campos de petróleo da região de Biafra do controle ibo, o que levou o chefe local a declarar a região independente. O novo país, Biafra, recebeu apoio de grandes empresas estrangeiras que desejavam explorar seu petróleo. Previa-se o fim da guerra em semanas, mas ela se alongou por mais de dois anos, só se encerrando em 1970 com um saldo de 2 milhões de mortos.
Ruanda e Burundi: a minoria tutsi, formada por pastores, dominava a maioria hutu, de agricultores. No fim da Primeira Guerra Mundial, quando a região ficou sob mandato belga, a maioria hutu passou a participar do poder. Perseguidos, os tutsis passaram a refugiar-se nos países vizinhos. Em 1990, com a volta dos tutsis vindos do Burundi, teve início a guerra civil em Ruanda. Em 1991, eles criaram a Frente Patriótica Ruandesa (FPR) que passou a controlar a parte nordeste do país e tentou, sem sucesso, negociações para formar um novo governo. Em 1994, a França enviou tropas e invadiu o país pelo oeste. A FRP ocupou a capital e lançou a ofensiva final em julho de 1994. No final desse ano mais de 2 milhões de pessoas já haviam fugido do país e cerca de 1 milhão havia sido morta.

A OUA não conseguiu manter seus princípios, sendo os dois conflitos acima apenas um exemplo pálido da dimensão dos problemas étnicos e políticos da África. O não-pagamento das contribuições dos Estados para a organização levaram-na ao fracasso.
Diante dessa situação, em julho de 2001 foi criada uma nova organização, a União Africana, inspirada na União Européia. Na ata de constituição da organização foi previsto que ela poderia intervir nos Estados-membros em três casos: prevenção ou pacificação de conflitos; crimes de guerra; e prática de genocídio. Isso também não tem impedido que os conflitos étnicos e as guerras entre nações continuem a acontecer.
Dentre os conflitos étnicos atuais destaca-se o que vem ocorrendo no Sudão, na região de Darfur. O Sudão é o maior país da África, com cerca de 2,5 milhões de km2. Obteve sua independência plena do Reino Unido em 1956 e desde então tem estado em guerra civil. Dois momentos mais intensos desse conflito são denominados de primeira guerra civil (1955-1972) e de segunda guerra civil (1983-2005).
Nessa última morreram cerca de 2 milhões de pessoas e mais de 4 milhões se refugiaram em países vizinhos. Ela foi marcada pela crescimento da milícia armada Janjaweed (demônios sobre cavalos), de origem árabe formada pela etnia baggara, nômades da região, seguidores do islamismo, que tinham como objetivo a eliminação dos grupos rebeldes, não-árabes, do sul do país. Para tanto, recebiam financiamento do governo.
A região de Darfur situa-se no oeste do Sudão, com cerca de 350 mil km2, sendo ocupada por cerca de 5 milhões de pessoas, onde predominam as etnias fur (de onde surge o nome Darfur – terra dos fur), masalit e zaghawa. Observe a sua posição geográfica:














A região de Darfur fica na área mais desértica do Sudão, sob influência do deserto do Sahara, longe das férteis margens do rio Nilo.



Em fevereiro de 2003 teve início o que vem sendo chamada de terceira guerra civil, quando grupos rebeldes de Darfur atacaram postos do governo região, como forma de protesto pelo descaso do governo, predominantemente árabe islâmico, para com as populações dessee território.
O governo ampliou o apoio as milícias islâmicas, dando início ao que foi classificado como uma limpeza étnica, com destruições de povoados, assassinatos de mulheres e crianças, destruição de plantações e confisco de colheitas, provocando uma onda de fome.
Várias propostas de intervenção internacional, feitas na ONU, não foram aprovadas por veto da China, maior parceira comercial do governo sudanês. No entanto, quando os combates se intensificaram na metade do ano de 2006, o Conselho de Segurança da ONU aprovou a Resolução 1706 e enviou uma força de paz, composta de 20 mil soldados, para apoiar as tropas da União Africana.
Segundo cálculos da ONU, até setembro de 2007 já haviam morrido na região de Darfur mais de 500 mil pessoas e 2 milhões haviam se refugiado nos países vizinhos.


B) EUROPA
Dentre os diversos conflitos étnicos da Europa, com diferentes níveis de gravidade, destacaremos cinco.

BASCOS
O povo basco, cuja língua e cultura tem origem obscura, mantém sua identidade apesar dos séculos de dominação espanhola e francesa. Na atualidade eles formam uma população de mais de 2 milhões de pessoas, que ocupam a área indicada no mapa abaixo:







A população basca vive em quatro províncias espanholas e três francesas. Cerca de 30% dessa população fala o basco ou vasconço, língua completamente diferente das demais línguas européias, que funciona como fator de unidade e identidade do povo basco.

Os governos espanhol e francês tentaram algumas vezes suprimir a identidade cultural e lingüistica basca. O ápice desse processo ocorreu na Espanha, durante a ditadura franquista (Francisco Franco, governou de 1939–1973), quando o uso da língua, das cores e dos símbolos nacionais chegaram a ser proibidos.
Na Espanha, a luta dos bascos pela independência começou no século XIX e se intensificou no século XX, especialmente a partir de 1959, quando se formou a organização de maior projeção na luta pela autodeterminação, a ETA (Euzkadi ta Askatasuna — Pátria Basca e Liberdade).
A ETA é responsabilizada por mais de 1000 mortes, desde quando começou a usar a violência para tentar a independência do país Basco. Em 1978, com a nova Constituição espanhola, o País Basco conseguiu grande autonomia. Parte do ETA, porém, manteve-se irredutível, continuando a reivindicar a independência total da região.
Vários acordos de cessar-fogo foram realizados, quase sempre encerrados com atentados terroristas, como a explosão de um carro-bomba no aeroporto de Barajas (Madrid, dezembro 2006), que encerrou um cessar-fogo de apenas 8 meses.


REINO UNIDO
No Reino Unido vivem diversos povos, de diferentes etnias, com particularidades lingüísticas e culturais. Destacam-se os escoceses, galeses e irlandeses, que reivindicam autonomia em diferentes graus. Vamos analisar o caso irlandês.
A ilha da Irlanda, a segunda maior do arquipélago britânico, está sob domínio da Inglaterra desde o século XVI e foi integrada ao Reino Unido no começo do século XIX. As lutas pela independência da ilha intensificaram-se no começo do século XX, culminando com a constituição do Estado Livre da Irlanda, em 1922.














O Ulster ou Irlanda do Norte tem 22 mil km2, o que equivale a 25% das terras da ilha da Irlanda. Sua população é de cerca de 2 milhões de pessoas.

Esse Estado inicial deu origem à atual República da Irlanda (Eire, em irlandês), sendo formado pelos condados (unidades administrativas, semelhantes aos estados brasileiros) situados na porção central e sul da ilha, nos quais a maioria da população era de católicos. A porção norte da ilha, o Ulster, formada pelos condados de maioria protestante, permaneceu vinculada ao Reino Unido.
Essa situação resultou em um descontentamento para a população que defendia a reunificação da Irlanda (posição defendida pelos católicos), já que se sente discriminada política e economicamente pelos protestantes (apoiada pelo Reino Unido).
No Ulster, a divergência de posições entre a maioria protestante e a minoria católica acabou determinando a eclosão de uma série de conflitos, que se agravaram no final dos anos de 1960, devido às reivindicações dos católicos por maiores direitos civis, reprimidas com violência pela maioria protestante, com o apoio do governo inglês.
Desde a década de 1970, o IRA (Exército Republicano Irlandês - Irish Republican Army), braço armado da minoria católica, entra em choque com as forças militares britânicas e com os protestantes, apoiados em suas milícias armadas. O uso de ataques terroristas na região, e em outras cidades do Reino Unido, tornou-se assim comum. Desde sua fundação, o IRA foi responsabilizado por quase 4 mil mortes.
A década de 1990 foi marcada pelo avanço das negociações, visando um acordo de paz, que culminou com o cessar-fogo de 1997 e com a assinatura de um acordo de paz em 1998. Durante o processo de paz, o IRA realizou três desarmamentos, supervisionados pela Comissão Internacional Independente de Desarmamento.
Em julho de 2005, o IRA anunciou o fim da luta armada e a entrega de armas, completada em etembro do mesmo ano. Isso abriu espaço para a criação de um governo autônoma no Ulster, empossado em maio de 2007, tendo como primeiro-ministro o reverendo protestante Ian Paisley, líder do Partido Democrático Unionista (DUP), e como vice-primeiro-ministro o líder católico, Martin McGuinness, do Sinn Fein. Trata-se, portanto, de um exemplo de divisão de poder para aplacar conflitos.


BÉLGICA
A Bélgica é um pequeno país, com cerca de 17 mil km2 e pouco menos de 4 milhões de habitantes, mas com alta densidade demográfica: 237 hab./km2.
O País é dividido em três regiões, que podem ser vistas no mapa abaixo. A região de Bruxelas, com apenas 161 km2, onde está a cidade do mesmo nome, que serve de capital. A região de Flandres, formada por cinco províncias (estados) do norte: Antuérpia (1 do mapa), Limburgo (2), Flandres Oriental (3), Brabante Flamengo (4) e Flandres Ocidental (5) ao norte. A língua falada pela maioria da população é o flamengo, semelhante ao holandês, sendo a parte mais rica e com as maiores cidades do país. Na porção sul está a região da Valônia, formada por mais cinco províncias: Brabante Valão (6), Hainaut (7), Liège (8), Luxemburgo (8) e Namur (10). A língua dominante é o francês. Veja o mapa:








As diferenças culturais entre flamengos e valões levaram ao acirramento dos conflitos desde a década de 1980, com o fortalecimento do nacionalismo flamengo, que busca uma divisão pacífica da Bélgica.

IUGOSLÁVIA
O termo Iugoslávia significa "terra dos eslavos do Sul". Ele foi usado em vários momentos históricos, em diferentes conjunturas geopolíticas:
 A partir de 1918, começou a ser usado para designar o Reino da Iugoslávia, surgido com o fim dos Impérios Otomano e Austro-Húngaro;
 A partir de 1929, foi usado para designar o Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos;
 A partir de 1946, foi criada a República Socialista Federativa da Iugoslávia. No final de 1991, quatro (Eslovénia, Croácia, Macedónia e Bósnia e Herzegovina) de suas seis repúblicas abandonaram a federação e declararam a independência.
 Forma-se então a República Federal da Iugoslávia, composta pelas repúblicas restantes, Sérvia e Montenegro. Em 2003, o nome Iugoslávia foi abolido, formando-se a República da Sérvia e a República de Montenegro.
Veja o mapa de como está a divisão atual da região:
























Em 1991 declaram independência República da Macedônia, a República da Eslovênia e República da Croácia. Em 1992 com a independência da República da Bósnia Herzegovina, eclode uma a guerra civil que deixou 200 mil mortos. Após a interferência da ONU e da OTAN foi assinado o Tratado de Dayton (1995), dando origem à Confederação da Bósnia e Herzegovina. A República de Montenegro declarou a sua independência em maio de 2006 e o Kosovo separou-se da Sérvia em fevereiro de 2008, após 9 anos de administração da ONU.

O caso da Iugoslávia é considerado o melhor exemplo do poder que os conflitos étnicos têm para fragmentar Estados. O país tinha uma das maiores diversidades étnicas da Europa, com sérvios, croatas, eslovenos, montenegrinos, albaneses e macedônicos (dentre outros pequenos grupos).
A região adotou o federalismo como forma de contornar as divergências étnicas e os nacionalismos. Durante o governo socialista de Tito (1945-1980) o centralismo manteve a união. Após a sua morte foi instituída uma federação, com um colegiado de presidência rotativa. O fracasso desse governo reacendeu as antigas divergências tribais, muitas delas incentivadas pelas grandes potências imperiais que ocuparam a região no passado (Império Austro-Húngaro, Império Russo e Império Otomano), levando à secessão e à guerras.

SECESSÃO E CRIMES DE GUERRA
Slobodan Milosevic (20/08/1941 – 11/03/2006) foi presidente da Sérvia e da República Federal da Iugoslávia. Foi eleito em 1989 para a rresidência da República Iugoslava da Sérvia.
Em abril de 1992, a Bósnia-Herzegovina declarou sua independência, o que gera um conflito étnico com os sérvios, minoria na região. Milošević invade a Bósnia e a guerra civil se estende por três anos. O exército sérvio massacra civis e comete atrocidades, classificadas como as mais sangrentas desde a Segunda Guerra.
Terminado o conflito a maioria albanesa da província de Kosovo inicia sua secessão para separar-se da Sérvia, atacando a população sérvia local, como estupros e chacinas. Milicias sérvias, com o apoio de Milošević, reagem e desencadeiam outro ocnflito de grandes proporções. A OTAN e os Estados Unidos, em 1999, bombardeam o país, inclusive a capital, Belgrado, causando a morte de milhares de civis.
Em 2001, o Tribunal Penal Internacional (Haia) solicitou a detenção de Milošević, que preso é transferido para Haia, onde passa a ser julgado por crimes, incluindo genocídio cometido na Bósnia-Herzegovina, na Croácia e no Kosovo durante a década de 1990.
Durante o julgamento, é encontrado morto na cela, na manhã de 11 de março de 2006.


CÁUCASO
No sudeste da Europa, encontram-se as montanhas do Cáucaso, que servem de fronteira com a Ásia. A região fazia parte da URSS, mas a dissolução do país, em 1991, deu origem a três novos Estados: Armênia, Azerbaijão e Geórgia. Também faz parte da região uma série de pequenas unidades políticas da Rússia, que reivindicam a sua soberania. Vejamos os principais conflitos étnicos da região:

Ossétia do Sul: com uma área de apenas 3.900 km2, éssa região já fazia parte da Geórgia quando da sua independência em 1991. Alí surgiu um movimento separatista, de base étnica, já que sua população é, predominante, de origem persa. Veja o mapa:














Cerca de 70 mil pessoas vivem na Ossétia e sua tentativa de independência revela o lado irracional do separatismo, que fragmenta Estados criando novas unidades políticas com espaços geográficos insuficientes para manter sua população em padrões sócio-econômicos mínimos.

A província declarou a sua independência, não reconhecida por nenhum Estado ou organização internacional, em novembro de 1991. O governo rebelde, que tem apóio russo (a Ossétia do Sul usa a moeda da Rússia, país com que realiza quase todas as suas transações comerciais), desencadeou uma guerra civil que matou centenas de pessoas. Um cessar-fogo foi assinado, mas a violência continuou, especialmente após a eleição do novo presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, em 2004, que pretende reunificar o país. Em novembro de 2006 a Ossétia do Sul realizou um plebiscito que teve 99% do SIM para a confirmação da independência da província.

Abkházia: província da porção ocidental da Geórgia, de 8.432 km², com população predominantemente muçulmana. Declarou independência em 1992, não reconhecida internacionalmente, mas recebe apoio da Rússia. O conflito militar alongou-se até o acordo de cessar-fogo de 1994, monitorado pela União Européia e Rússia. Depois disso alguns milhares de abkazides saíram da Geórgia em direção à província, declarando-se refugiados políticos. A questão étnica local ameaça tornar-se internacional com a entrada da Geórgia na OTAN, em 2004, e a conseqüente aproximação com o Ocidente, em oposição à Rússia. Veja a posição geográfica da região:










Com uma população estimada em aproximadamente 180 mil habitantes, a região tem a economia baseada na agricultura, dificultada pelo relevo montanhoso.

A partir de 2000 a Rússia passou a ter uma política de apoio aberto à região, dando ajuda financeira, militar e técnica. Até junho de 2007, 80% dos cidadãos da região já havia recebido a cidadania russa. Na tentativa de reverter a situação, em maio de 2008 o presidente da Geórgia ofereceu a Abkházia o status político de unidade autônoma, a representação no governo central, incluindo a vice-presidência da república, e a criação de uma zona franca na região. A proposta foi rejeitada pelo governo local, criando um estado de tensão.

Chechênia: pequena república russa, da região do Causaco. Faz fronteira com as repúblicas russas do Daguestão e Inguchétia, além da Geórgia. A maioria da população, de cerca de 800 mil pessoas, é muçulmana sunita. A região é rica em minérios e petróleo, situando-se entre os mares Negro e Cáspio, zona estratégica russa. O conflito entre essa minoria étnica e as forças centrais de Moscou causou cerca de 200 mil mortes até o início de 2008. Veja o mapa:















A Chechênia está em uma região estratégica, já que é atravessada por dutos russos que transportam petróleo para a Europa.

Em 1991 os rebeldes chechenos declararam sua independência da Rússia, formaram um parlamento local e proclamaram a República Ichkéria da Chechênia, não reconhecida por nenhum país. As emboscadas e os ataques camicases contra as tropas russas cresceram e foram respondidos com pesados bombardeios aéreos e com a colocação da Chechênia sob administração direta do Presidência da Federação Russa.
Em 1997, quando as tropas russas saíram da república os chechenos elegeram um presidente, que assinou um acordo de paz com a Rússia, adiando a decisão sobre o status político da Chechênia para 2002.
Desde então os rebeldes chechenos passaram a atacar mais alvos dentro da Rússia, com diversos atentados suicidas a bomba, sendo os de maior repercussão internacional o ataque a um teatro de Moscou, em 2002, quando foram feitos cerca de 800 reféns, e a invasão, em setembro de 2004, de uma escola em Beslan, república da Ossétia do Norte, onde foram aprisionados, torturados e mortos os reféns (crianças, pais e professores).


C) ÁSIA
A Ásia é o maior continente do mundo, com mais de 44 milhões de km2. Apresente uma grande diversidade étnica e em vários países do continente os conflitos étnicos estão presentes. Vejamos os principais.

CAXEMIRA
Trata-se de um conflito étnico de longa data, que se acirrou com o fim do domínio britânico sobre a região. Com a saída das tropas britânicas, veio à tona o conflito entre hindus e muçulmanos. De um conflito local passou a conflito internacional, envolvendo inicialmente os novos países formados com a independência, Índia e Paquistão, e mais tarde a China.
A divisão territorial herdada do imperialismo britânico não satisfez às aspirações do Paquistão, já que a Caxemira, de maioria muçulmana, ficou sob domínio da Índia. Já ocorreram três grandes conflitos entre a Índia e o Paquistão. A primeira guerra indo-paquistanesa, ocorreu em 1948 e terminou com a ONU dividindo a região em duas partes: um terço para o Paquistão, o território de Azad Caxemira, e dois terços para a Índia, o território de Jammu-Caxemira (único Estado indiano de maioria islâmica). Veja o mapa.












O território de Caxemira está situado na confluência das fronteiras do Paquistão, China e da Índia, sendo ocupado por mais de 9 milhões de pessoas, a maioria muçulmana, que não aceita a dominação indiana.

Em agosto de 1965 ocorreu a segunda guerra indo-paquistanesa, na região de Caxemira, motivada por hostilidades religiosas. Desta vez a mediação foi feita pelos soviéticos, e os dois Estados concordaram em retornar aos limites territoriais anteriores. Em 1971 ocorreu a terceira guerra indo-paquistanesa, quando a porção oriental do Paquistão tornou-se independente e deu origem a Bangladesh. A Índia acabou intervindo e a região de Caxemira foi a que teve conflitos mais violentos.
As tensões continuaram a crescer, em especial após os testes nucleares indianos, seguidos pelos do Paquistão.
Os movimentos separatistas de Caxemira ampliam a sua ação, atacando alvos indianos fora da região, como o atentado suicida contra o Parlamento indiano em dezembro de 2001. Esses movimentos, no entanto, não têm posição unânime quanto ao futuro da região, pois alguns defendem a sua completa independência, enquanto outros propõem anexá-la ao Paquistão.

SRI LANKA
O Sri Lanka é uma ilha no oceano Índico, nas costas da Índia, com cerca de 20 milhões de habitantes. Apresenta grande diversidade étnica, com línguas e religiões diferentes, com várias minorias, das quais se destacam muçulmanos, mouros e malaios. Predominam os povos cingaleses, com cerca de 75% da população, concentrados no sul, que professam o budismo. O segundo grupo mais numeros é o dos tâmis, provenientes da Índia, com cerca 12% da população, concentrados no norte e nordeste da ilha, que professam o hisduismo. Veja o mapa.


















Os guerrilheiros tâmis, da Liberation Tigers of Tamil Eelam (LTTE) pretendem criar o Estado Tamil Eelam (Eelam é o termo tâmis para se referir a sua pátria) no norte-nordeste da ilha.

A forte discriminação sofrida pelo tâmis, com baixa renda, falta de escolas e trabalho, acirrou os conflitos étnicos, criando uma guerra civil que já matou 70 mil pessoas desde 1983. Entre 1987 e 1990 a Índia invadiu a região, apoiando os tâmis, enquanto milhares deles buscaram asilo na costa indiana. Em 2001, com mediação internacional, conseguiu-se um cessar-fogo, mas hostilidades voltaram a partir de 2005 e já mataram mais de 4 mil pessoas.


INDONÉSIA
A Indonésia é um país que ocupa um árquipelago de 18 mil ilhas, com quase 2 milhões de km2, localizado entre o sudeste asiático e a Austrália. Sua população é a quarta maior do mundo, aproximando-se de 250 milhões de pessoas. É o maior país islâmico do mundo, mas com grande diversidade étnica. Mais de 80% da população professa o islamismo. Há uma pequena população católica (5%), que sofre forte discriminação e que já entrou em conflitos com a maioria islâmica, provocando milhares de mortes. Igrejas, escolas e locais públicos freqüentados por católicos são alvos freqüentes de ataques a bomba.


FILIPINAS
As Filipinas ocupam um arquipélago com cerca de 300 mil km2, onde vive uma população de mais de 90 milhões de pessoas. Ao contrário da Indonésia, aqui a população predominante é de católicos (85%) e os muçulamanos se restringem a 5% da população, concentrados em ilhas do sul do país. O islamismo chegou à região no século XVI, com a expansão comercial dos árabes. Mas, a partir de 1521, grande parte das ilhas passaram a ser colonizadas por portugueses, que introduziram a religião católica e se tornaram dominantes.
Desde 1972, ano da fundação da Frente Moro de Libertação Islâmica (MILF - Moro Islamic Liberation Front), a luta pela autonomia do sul muçulmano já provocou mais de 120 mil mortes. Embora a autonomia da região tenha sido reconhecida, em 1989, e um tratado de paz firmado, em 1996, os conflitos continuam.
Seqüestros de católicos iniciados em 2000, reabriram a crise entre o governo e os rebeldes muçulmanos. Têm sido freqüentes os ataques de tropas Filipinas às bases rebeldes no sul do país, em especial na região da ilha de Jolo.


CHINA
Logo após a revolução socialista de 1949, a China retomou o Tibete, possessão que ocupou entre 1751 e 1912, quando o perdeu para a influência inglesa. Em 1959, as tropas chinesas esmagaram uma rebelião comandada pelos monges budistas locais, o que levou seu líder (dalai-lama) ao exílio, condição em que se encontra até hoje. Além disso, o governo chinês começa a enfrentar problemas internos originados pelas pressões separatistas de outros grupos, em especial dos muçulmanos do Xinjiang e dos mongóis, que vivem em províncias autônomas. Se somados ao Tibete, esses movimentos separatistas querem a autonomia de cerca de 40% do território chinês. Veja no mapa.
















Apesar das pressões internacionais a China não aceita discutir a questão do Tibete, pois entende que dar autonomia a essa região poderia provocar outras minorias étnicas sob seu domínio, a também exigirem independência.

A questão islâmica na China se restringe ao oeste do país, na região do Sin-kiang, onde vivem diversos povos das etnias turca e tadjique. Em várias províncias locais os chineses são minoria e predominam os grupos muçulmanos. O sentimento separatista se intensificou em 1991, com o fim da URSS, pois as repúblicas do Quirguistão e Casaquistão tornaram-se Estados independentes. Mas, os muçulmanos chineses não receberam apoio desses países, que preferiram preservar sua relação com o governo de Beijing em troca de vantagens econômicas e políticas.
A questão mongol ocorre no norte do país, na região da Mongólia Interior. A etnia mongol é minoria na província, e reivindica maior autonomia cultural e democratização. Uma parte da população almeja uma reunificação com a Mongólia, país independente que não estimula essa esperança dos separatistas.


CURDOS
Os curdos são uma das etnias indo-européias presentes no Oriente Médio há mais de 1000 anos. Formam o maior povo sem Estado no mundo atual, com uma população superior a 35 milhões de pessoas. Observe sua localização no mapa.









Os cursos ocupam um território com cerca de 500 mil km2, que se estende principalmente pela Turquia, Síria, Iraque, Irã, Armênia e Azerbaijão.



Embora nunca tenha existido um Estado curdo, no início da década de 1920 desenvolveu-se na região atualmente ocupada por esse povo a idéia de formação de um Estado nacional. Quando a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) terminou, foi assinado o Tratado de Sèvres, que previa a autonomia do Curdistão, mas ele não foi respeitado.
Já em 1920, surgiram na Turquia os primeiros sinais de uma oposição sistemática à formação da identidade nacionalista curda, por meio de uma política de assimilação desse povo e pela proibição do uso de sua língua e vestimentas típicas. No Irã os curdos formaram um partido político (Jiani Curdistan - Renascimento do Curdistão) e fundaram, em 1946, a República de Mahabad, logo retomada pelo exército iraniano. Na Síria, na década de 1960, foi criado um plano para eliminação dos curdos, com as seguintes medidas: dispersão da sua população; privação de instrução; restrição de alimentação; e ocupação das suas terras por sírios nacionalistas. O lraque, único país que reconhece a etnia curda, embora o governo não permita a sua autonomia, matou alguns milhares de pessoas na região ao longo do governo de Saddam Hussein.


D) AMÉRICA
O continente americano se estende por mais de 15 mil quilômetros, desde as proximidades do pólo norte até quase a Antártida. Ocupa uma área de mais de 42 milhões de km2 que é povoada por quase 900 milhões de pessoas.
Durante o processo de ocupação colonial européia a região sofreu um violento genocídio, com a morte de milhões de indígenas que habitavam suas terras. Quase todas as minorias restantes foram confinadas em reservas, depois que se formaram os Estados nacionais.
São raros os países do continente onde as etnias autóctones são maioria na população. As duas exceções mais importantes são a Bolívia e o Peru, que contam com elevadas parcelas de quíchuas e aimarás. Os conflitos étnicos, embora existam no continente, não têm a mesma virulência que vimos em outras partes do mundo. Vejamos abaixo o mais comentado deles.

QUEBEC
O Quebec é uma das mais ricas províncias do Canadá, localizada no Sudeste do país. Apresenta mais de 1,5 milhão de km2 e tem cerca de 25% da população nacional, com cerca de 8 milhões de habitantes. Veja sua posição.

























Parte considerável da população do Quebec, onde predomina a cultura de origem francesa, quer sua separação do restante do país. No último plebiscito realizado com essa finalidade, em 1995, os separatistas quase atingiram seu objetivo.

A maior parte da população canadense é de origem inglesa (44%), descendente de colonos britânicos e de norte-americanos. Os indivíduos de origem francesa representam quase 30% do total e concentram-se na província de Quebec.
Desde a época da colonização, surgiram movimentos separatistas, dividindo franceses e britânicos. A província de Quebec é o caso mais extremo. Para amenizar o problema, desde 1969, o francês passou a ser a segunda língua oficial do Canadá, embora só seja falada em 22% dos lares (em 67% deles se fala inglês). Por meio de um plebiscito, a maioria da população de Quebec manifestou-se contra a separação (1981), mas exigiu direitos específicos e maior participação política. Em 1995, em outro plebiscito, a parcela da população favorável à independência subiu para 49% dos votos.



BIBLIOGRAFIA

ALI, Tariq. Confronto de fundamentalismos. Cruzadas, jihads e modernidade. Rio de Janeiro: Record, 2002.
ADIB, Jorge (ed.). Guerra e Paz. Rio de Janeiro: Rio Gráfica, 1984 (7 volumes).
AYERBE, Luis Fernando. Etnicidade e fundamentalismo. En publicacion: O Ocidente e o "Resto". A América Latina e o Caribe na cultura do Império. Luis Fernando Ayerbe Março. 2003.
BOUTHOUL, Gaston. O desafio da guerra. Rio de Janeiro: BibliEx, 1979.
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BERLINGUER, Luigi. Globalização e o Conflito de Identidades. Consiglio Superiore della Magistratura, Itália,Fundação Gulbenkian.
DEUTSCH, Karl. Análise das relações internacionais. Brasília: UnB, 1982.
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HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos: O breve século XX (1914-91). São Paulo: Companhia das Letras, 1999.
HUNTINGTON, Samuel P. O Choque de civilizações e a recomposição da ordem mundial. Rio de Janeiro: Objetiva, 1997.
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LAPOUGE, Gilles. Para entender a violência na Caxemira. O Estado de São Paulo, São Paulo: 19.09.00. In: Diário do Passado. Disponível em: http:/www.estadao.com.br/diariodopassado.html>. Acessado em: 03/05/08.
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SARAIVA, José Flávio Sombra. A bipolaridade imperfeita na coexistência pacífica (1955-1968). In:
Relações internacionais contemporâneas. Da construção do mundo liberal à globalização. De 1815 a nossos dias. Brasília: Paralelo 15, pp. 257-278., 1997.







quinta-feira, 19 de junho de 2008

sábado, 14 de junho de 2008

GEOCIÊNCIAS 1

DESLIZAMENTO DE ENCOSTA Esse vídeo, embora em japonês, mostra de forma rápida e didática o deslizamento de encostas devido ao desmatamento.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Resenhas

ASSUNTO
DESCRIÇÃO
Protocolo de Kyoto
Apresenta o que é o Protocolo de Kyoto, relacionando-o ao problema do aquecimento global. Apresenta ainda as dificuldades para a sua implantação.
Muros da Atualidade
Discute a contradição entre a globalização e a criação de barreiras físicas ou de fronteira para conter a livre movimentação da população pelos diferentes espaços geográficos. São discutidas e mostradas diversas imagens das barreiras entre o México,EUA; a cerca em Ceuta, colônia da Espanha na África; e do muro que Israel está construindo na Cisjordânia para isolar a região palestina.
Metas do Milênio I
É o primeiro de uma série de 5 programas que tratam das 8 Metas do Milênio da ONU. Nesse primeiro programa discutimos a meta 1 , Erradicar a extrema pobreza e a fome, que pretende reduzir pela metade, entre 1990 e 2015, a proporção da população que sofre de fome.
Agentes exógenos do relevo
O programa analisa os agentes externos de transformação da superfície terrestre, tais como rios, mares, ventos, gelos, etc. Destaca ainda a importância da ação humana sobre a crosta terrestre.
Metas do Milênio II
É o segundo programa de uma série de cinco onde analisamos as Metas do Milênio na ONU. Nesse programa tratamos da 2ª meta (Atingir Ensino Básico Universal) e da 3ª meta (Promover a igualdade entre sexos e a autonomia das mulheres).
Metas do Milênio III
É o terceiro programa de uma série de cinco em que tratamos das Metas do Milênio da ONU. Analisamos a 4ª meta (Reduzir a mortalidade infantil) e a 5ª meta (Melhorar a saúde materna).
Metas do Milênio IV
É o quarto programa de uma série de 5, onde tratamos das Metas do Milênio da ONU. Nesse programa analisamos a 6ª Meta (Combater HIV/aids, malária e outras doenças) e a 7ª meta (Garantir a sustentabilidade ambiental).
Metas do Milênio V
É o quinto programa de uma série de cinco, onde analisamos as Metas do Milênio da ONU. Nesse programa tratamos da 8ª e última meta (Estabelecer uma parceria mundial para o desenvolvimento).
Fuso Horário e as Bolsas de Valores
O programa analisa os conceitos básicos sobre fusos horários e relaciona essas informações com o funcionamento das principais Bolsas de Valores do mundo, que na atualidade globalizada estão interligadas via internet, o que permite que um investidor acompanhe seus pregões 24 por dia.
PIB Brasileiro: geração e distribuição
São analisadas as fontes principais de formação do PIB brasileiro e a desigual distribuição dessa riqueza pelo território nacional
A produção cafeeira e a ocupação de São Paulo
O programa faz uma interdisciplinaridade com a História, mostrando como a expansão da cultura cafeeira no século XIX e começo do XX se relacionou à ocupação do espaço geográfico do estado de São Paulo e ao aumento da imigração.
Tsunamis
Analisa o que é esse fenômeno, suas causas e conseqüências, com ajuda de fotos e desenhos que ilustram algumas de suas manifestações mais recentes e violentas.
Questão negra nos EUA e no Brasil
Discute o que é preconceito racial e racismo, aplicando esses conceitos nos Estados Unidos e Brasil.
O Império Norte-americano
O programa faz uma síntese dos principais fatos que transformaram os Estados Unidos na maior potência mundial, relacionando esse fato com seu expansionismo territorial e sua dominação cultural e econômica de grande parte do mundo.
A ONU e suas resoluções
Primeiramente é explicada a estrutura da ONU, destacando seus principais órgãos. Depois é definido o conceito de resolução, os mecanismos internos da ONU para a sua formulação e são apontados alguns exemplos de sua aplicação.
Transposição do Rio São Francisco
A polêmica sobre a viabilidade da transposição é analisada, sendo mostrados os fatos sobre os quais ela se estabeleceu. As vantagens da realização da obra são apontadas, mas por outro lado o seu elevado custo e a sua viabilidade técnica é discutida.
China: potência emergente
A China é mostrada como uma potência emergente, a partir dos dados que indicam o tamanho do seu PIB e as elevadas taxas de seu crescimento. São mostradas as causas e as conseqüências econômicas e geopolíticas desse fato.
Privatização do espaço urbano
O programa discute diversos aspectos que envolvem o acelerado crescimento das metrópoles, destacando especialmente a privatização de partes de seu espaço por segmentos sociais privilegiados.
O Furacão Katrina e suas conseqüências
Após a definição do que é um furacão e como esse fenômeno se origina, o programa analisa a questão do furacão Katrina, destacando não apenas a devastação material por ele provocada, mas também a disparidade social que ele revelou existir nos Estados Unidos.
ALCA - impasses para sua criação
A partir da explicação do que são blocos econômicos o programa discute a proposta norte-americana de criação da Alca, seus objetivos e as discórdias sobre a sua criação.
Caatinga: um processo de desertificação?
O programa, primeiramente, define as características dessa paisagem vegetal e as condições climáticas da área de sua localização, para depois explicar as formas de sua ocupação econômica e a degradação ambiental que vem ocorrendo pela exploração sem planejamento.
Febre aftosa e a pecuária atual
Partindo de um breve panorama da pecuária mundial, o programa discute a questão da febre aftosa, definindo o que é essa doença animal, qual é sua fonte de infecção e modo de transmissão, quais são as suas conseqüências econômicas e como é feito o seu controle.
Cartografia digital: imagens de satélite
O programa parte de uma explicação sobre as dificuldades da cartografia em representar o mundo real, para depois comentar as diferentes formas de projeção, com destaque para as de Peters e Mercator. Mostra como o salto tecnológico, representado pelo desenvolvimento da tecnologia de satélites, permitiu o avanço da cartografia e o desenvolvimento de seu grau de precisão, além da diversificação de seus usos para campos científicos mais complexos.
O relevo do Estado de São Paulo
Após a definição do que é relevo e das suas características brasileiras, o programa especifica a formação e evolução do relevo paulista, relacionando essa paisagem com a hidrografia e a ocupação do interior do estado. Apresenta ainda espaços específicos onde surgem cuestas, grabens e horsts.
Portos Secos: o que são e seu papel
Após conceituar o que são os portos secos, o programa aprofunda a análise de sua importância no quadro das exportações brasileiras, associando isso com as dificuldades de transportes, as grandes distâncias entre as áreas produtoras e os portos litorâneos.
A agricultura transgênica
O programa define o que são os transgênicos e porque sua produção agrícola tem crescido tanto na última década. Apresenta a polêmica em torno do assunto, discutindo os possíveis impactos ambientais, a concentração fundiária, a lei de Biossegurança brasileira e a ação das ONGs com a Campanha Nacional Por um Brasil Livre de Transgênicos
Alemanha - o custo da reunificação
Após uma rápida introdução, destacando a importância da Alemanha no cenário econômico e geopolítico mundial, o programa faz um panorama histórico, destacando a divisão do país durante a Guerra Fria, a construção do Muro de Berlim e sua queda, a reunificação do país e seu elevado custo, finalizando com a eleição de Angela Merkel, primeira mulher a assumir o cargo de chanceler da Alemanha. Por fim, destaca os problemas da imigração e da crescente xenofobia.
CEI: economia e geopolítica
O programa explica as origens da CEI (Comunidade dos Estados Independentes), seus participantes e a meta de promover uma cooperação na transição para a economia de mercado. Destaca ainda os principais problemas relacionados às questões étnicas e religiosas, bem como o problema da exploração e do transporte de gás natural por meio dos gasodutos da região. Finaliza comentando o problema da Tchetchênia e do terrorismo.
Transição demográfica: fases
Partindo da definição do conceito de crescimento vegetativo, o programa discute o que são as fases da evolução demográfica e suas características. Mostra ainda que todos os países passam por essas fases, porém em diferentes épocas e em diferentes velocidades. Relaciona esse conceito com o envelhecimento populacional e finaliza analisando a posição atual do Brasil nesse contexto.
Fundamentalismo Islâmico
O programa define o que é o fundamentalismo religioso, mostrando que em geral eles repudiam a modernização e as outras culturas, especialmente aquelas que contradizem seus preceitos religiosos. Após uma introdução sobre sua origem histórica, o programa aprofunda a discussão sobre o fundamentalismo islâmico, suas origens e características.
Metrópoles brasileiras: até onde crescerão
O programa discute o conceito de metrópole e sua hierarquia. Define o que são as regiões metropolitanas e os problemas urbanos a ela relacionados. Analisa ainda as razões que levam as metrópoles a concentrarem tantas pessoas, principalmente em países subdesenvolvidos.
Rio Tietê - A alma paulista
O programa analisa a importância do rio Tietê na formação do espaço geográfico paulista, destacando suas características físicas desde a nascente até a foz. Relaciona esses aspectos à história da penetração colonial para o interior do país, à sua importância na produção de energia e na navegação e finaliza com os problemas da sua poluição e das obras de ampliação da sua calha na área metropolitana de São Paulo.
Petróleo: vai acabar?
O programa discute a polêmica em torno do esgotamento das reservas mundiais de petróleo. Analisa a origem dessa fonte de energia, a sua não-renovábilidade, a extensão atual das reservas e da produção, a possibilidade das reservas virem realmente a acabar e a relação disso com os preços do recurso. Discute ainda o papel da OPEP e a possibilidade de um novo Choque do Petróleo.
OMC - regras para o comércio mundial
Após definir o que é a Organização Mundial do Comércio (OMC), o programa discute sua origem e seus objetivos. Mostra ainda o choque de interesses entre os países desenvolvidos e subdesenvolvidos, esclarecendo as diferenças entre os dois grupos. A análise se estende à definição de protecionismo, subsídios agrícolas, e rodada Doha.
Fordismo, Toyotismo e Volvismo
O programa analisa a evolução dos sistemas de produção industrial, fordista, taylorista e volvista, associando-o às diferentes fases do capitalismo e explicando sua associação às indústrias automobilísticas
Fontes de energia renováveis: álcool
A partir do histórico, iniciado com a sua fundação, é analisado o papel do Pro-álcool, criado em 1975, com o objetivo de reduzir os gastos com a importação de petróleo, cujo preço havia subido de forma brutal desde o Primeiro Choque. Seus atuais pontos positivos e negativos são discutidos.
Coréia do Norte: autonomia e ou provocação
O programa retoma a divisão das Coréias em função do conflito ocorrida dentro do contexto da Guerra Fria e da Doutrina Truman. Comenta ainda a evolução da economia e política da Coréia do Norte, a questão nuclear na geopolítica mundial, as ameaças nucleares feitas pela Coréia do Norte e sua classificação, pelo governo dos Estados Unidos, como um dos países do “eixo do mal”.
Gastos militares e conflitos
O programa analisa a corrida armamentista alimentada pelas tensões do período da Guerra Fria. Mostra ainda a situação atual, onde um promissor mercado de armas se alimenta da multiplicação dos conflitos regionais. Encerrando o programa é discutida a questão do Irã, que desenvolveu tecnologia para enriquecer urânio, o que coloca o país como um potencial produtor de bombas atômicas.
Biodiversidade Brasileira
Inicialmente o programa define o que é Biodiversidade e aponta os aspectos naturais que fazem do Brasil um dos locais do mundo com essa característica. Em seguida defini o termo hotspots e mostra que regiões do Brasil se enquadram nessa categoria, destacando sua importância natural e econômica. São discutidas ainda a situação atual da devastação ambiental e as leis brasileiras sobre o assunto.
O que é Neoliberalismo?
O programa analisa o que é o neoliberalismo, fazendo um breve histórico de suas origens e características atuais. Aponte os órgãos internacionais que representam ou aplicam essa ideologia política e econômica hoje. Discute ainda se o Brasil se enquadra no grupo de países neoliberais e as conseqüências positivas e negativas dessa política.
Amazônia: a biopirataria
O programa define o que é biopirataria, mostrando que a região amazônica é a que mais tem sofrido com a ação dos biopiratas. Discute as dificuldades brasileiras no combate dessas ações e mostra que outras áreas do território também sofrem com ações ilegais dos biopiratas. São apontados exemplos de biopirataria que se tornaram famosos, especialmente os que resultaram no controle de patentes estrangeiras sobre produtos retirados do nosso território. Finalmente são apontadas a necessidade de leis nacionais mais rígidas sobre a biodiversidade e de maiores investimentos ciência e tecnologia específicas sobre o assunto.
Índia: potência emergente
O programa explica porque a Índia faz parte dos BRICs, conjunto especial de países emergentes, formado pelo Brasil, Rússia, Índia e China. Analisa os dados econômicos e o contexto geopolítico que colocam esse país nesse conjunto. Aponta também os problemas sociais e a polêmica em torno da transformação do país em um membro do restrito círculo de possuidores de bombas atômicas.
América Latina: instabilidade social e política
Partindo de um histórico que analisa o longo período de ditaduras que a América Latina passou, o programa enfoca a transição para a democracia e a recente onda de ascensão de partidos de esquerda ao poder em vários países do continente. São analisados vários exemplos de países que estão passando por um processo de socialização, com destaque para a Venezuela e para a Bolívia, bem como os impactos econômicos e geopolíticos que isso está trazendo para a região e para o Brasil, em especial.
Venezuela: a era Chaves
O programa faz um histórico da ascensão de Hugo Chávez ao poder na Venezuela, iniciado com uma tentativa de golpe de Estado, mas posteriormente consolidado com as eleições do final da década de 1990. São comentadas as transformações econômicas e políticas pelas quais o país está passando, que se estendem desde a mudança do nome da Nação até a criação de uma nova Constituição, além da polêmica em torno da entrada do país no Mercosul do seu enfrentamento com os EUA.
Ásia pós-crise de 1997
O programa descreve a crise financeira que foi desencadeada em alguns países da Ásia em 1997, bem como as suas repercussões mundiais. Analisa as causas do fenômeno e as medidas concretas utilizadas para a saída da crise. Finaliza com um panorama do estágio atual de crescimento econômico dos países da região e da influência crescente que eles têm na economia mundial.
As duas imigrações brasileiras
Inicialmente são conceituados os termos migração, imigração e emigração, diferenciando-os dos movimentos populacionais internos. Depois o Brasil é apontado como um dos maiores países imigrantes, destacando-se as diferenças entre as formas de imigração que ocorreram na região sul e na sudeste do país. São analisadas ainda as épocas de ocorrência desses fluxos, os principais grupos que os formaram e suas influências regionais. Finalmente, é apontada a inversão de direção das migrações externas do país, hoje mais caracterizado pela emigração
África subsaariana: economia, conflitos e pobreza
O programa começa pela definição do espaço geográfico ocupado pela África subsaariana, destacando as péssimas condições de vida da região e apontando as principais causas dessa situação. Analisa ainda os processos de colonização e descolonização, associando-os aos problemas étnicos e aos conflitos da atualidade. Finaliza com a discussão sobre a insuficiência da ajuda internacional e os problemas gerados pela forma de organização econômica muito dependente das exportações de commodities.
União Européia: ampliação contínua
Inicialmente é apresentada a formação e evolução da União Européia, com a discussão sobre as vantagens que a organização encontra com a entrada de novos membros. São analisados diversos dados mostrando a situação econômica da União Européia. Nesse contexto é apresentada a rejeição à formação de uma Constituição comum dentro do bloco. Finalmente se discute as possibilidades de adesão de novos membros, alguns deles, como a Turquia, bastante distantes do quadro atual da organização.
Brasil: favelização das metrópoles
Após a definição do que é favela e da indicação de quantos brasileiros vivem nessa forma de espaço urbano, são discutidas as iniciativas públicas que procuram minimizar seus problemas e seu crescimento. O Brasil é apresentado como um dos países recordistas no número de favelas e favelados, e nesse contexto são discutidos exemplos de projetos de urbanização das favelas. O processo de favelização das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro são comparados, nas suas semelhanças e diferenças, e o programa se encerra com a discussão se existe ou não uma receita para combater a favelização.
Brasil: balança comercial 2006
O programa, primeiramente, explica o que é a Balança Comercial e suas relações com a economia internacional feita por um país. Depois relaciona esse conceito com a balança de pagamentos, mostrando, como no caso brasileiro, a regulação desta depende daquela. São analisados ainda os fatores que influenciam a balança comercial, a situação de endividamento externo e o papel que as políticas neoliberais tiveram nesses processos. Após conceituar o que foi o Consenso de Washington, são apresentadas as suas conseqüências na nova postura do comércio internacional brasileiro. É explicado ainda como o chamado “custo Brasil” interfere na balança comercial. Por fim são destacados os produtos mais exportados pelo Brasil e discutidas as perspectivas futuras do comércio internacional.
TNP e a retomada da Era Nuclear
O programa analisa o TNP (Tratado de não proliferação nuclear), mostrando sua origem, os países-membros e suas funções, originadas no contexto da Guerra Fria. Mostra que o tratado tem sido desrespeitado de diversas formas e analisa os casos específicos do Irã e da Coréia do Norte. Finalizando, é discutida a questão do contrabando de material radioativo, que poderia vir a ser usado para a construção de bombas atômicas por grupos terroristas.
Brasil: país continental
Primeiramente o programa apresenta as vantagens e desvantagens da grande extensão territorial nacional, para depois aprofundar a discussão sobre o problema da manutenção da unidade territorial. Destaca ainda a intertropicalidade brasileira como um fator que poderá colocar o país em destaque, graças ao excedente energético solar que favorece a biodiversidade e a diversidade agrícola.
O que são águas fronteiriças?
O programa define o que são as ATS (águas transfronteiriças superficiais), mostrando sua irregular distribuição pelo mundo e o grande número de bacias hidrográficas transfronteiriças, que são, potencialmente, zonas de tensão geopolítica. São discutidas ainda as questões relativas a transformação da água doce em um recurso escasso e, portanto, passível de disputas, muitas delas por meio de conflitos armados. Por outro lado, é mostrada a possibilidade cooperação para o uso das ATS, usando como exemplos a bacia do Paraná e o Aqüífero Guarani. Finalizando é analisado o caso da bacia do Danúbio, compartilhada por 17 Estados europeus.
Tribunais Internacionais
O programa analisa as origens dos Tribunais Internacionais, especialmente após a Convenção de Genebra. São destacados e analisados o Tribunal de Nuremberg, a Corte Internacional de Justiça de Haia e os Tribunais Provisórios (ad hoc): julgamentos de Ruanda, Iugoslávia, Pinochet e Saddam Hussein. Encerrando é analisada a criação do Tribunal Penal Internacional Permanente e as polêmicas que estão envolvendo a extensão de sua atuação.
Rússia hoje
O programa analisa o desenvolvimento econômico da Rússia e das outras repúblicas que formavam a União Soviética até 1991. Levanta considerações sobre o grau de desenvolvimento da Rússia e os fatores que contribuíram para o seu crescimento econômico nos últimos anos. Destaca ainda o papel estratégico que esse país tem no fornecimento de gás natural para a União Européia e, dentro deste contexto, discute a questão da Tchetchênia.
Brasil: enchentes urbanas
Primeiramente o programa desmistifica a idéia de que enchentes só ocorrem em ambientes urbanos, para depois analisar mais a fundo as questões que agravam esse fenômeno natural, dentre as quais se destacam o desmatamento, a retirada de matas ciliares, a ocupação das várzeas de rios, o assoreamento dos canais e impermeabilização do solo urbano. É analisado ainda o problema dos deslizamentos urbanos, que anualmente provocam muitas vitimas. Finalmente são discutidas algumas das soluções para esses problemas, tais como os reservatórios de detenção (piscinões), ampliação das áreas verdes, melhoria da coleta de lixo, campanhas de conscientização popular, dentre outras.
Tecnopólos
O programa analisa o que são os tecnopólos e a quais processos industriais eles estão ligados. Destaca a relação entre o desenvolvimento dos tecnopólos e o surgimento de uma nova Revolução Industrial. São mostrados os locais onde se localizam os principais tecnopólos do Brasil e do mundo e analisadas as suas relações com as transformações do espaço geográfico
Brasil: produção de ouro
Após analisar a posição do Brasil como produtor de ouro no mundo, o programa destaca a distância real que existe entre a produção oficial do país e a que de fato ocorre. São mostrados que os meios de produção das mineradoras e dos garimpeiros são completamente diferentes e que o controle dessa produção é praticamente impossível em um país com as características territoriais que o Brasil apresente. São discutidos ainda os problemas provenientes da garimpagem na Amazônia, o contrabando e a sua associação com o narcotráfico. Finalmente é mostrado o exemplo de Serra Pelada, marco histórico da degradação ambiental provocada pela mineração.
Expansão dos BRIC´s
O programa explica como surgiu o termo BRIC, aponta os países que fazem parte do grupo e, a partir de estatísticas do Banco Mundial, analisa as projeções sobre a economia dessas nações até o ano de 2050. São feitas ainda algumas conjecturas sobre o poder econômico e a influência política que esses países poderão atingir, bem como são comentados alguns indicadores atuais de que esses fatos poderão realmente se concretizar. Finalmente são comentados os significados de novas siglas derivadas da primeira, tais como BRICM e BRICS.
Fontes de energia: o gás natural
O programa discute a crescente importância do gás natural como fonte energética, explicando, primeiramente, a sua origem fóssil, a localização de suas principais reservas e os países que estão entre maiores produtores mundiais. São explicadas as diferentes formas de sua utilização e sua importância para economia mundial, dentro do quadro de escassez de petróleo. Comenta-se ainda os mecanismo de transformação do gás em energia elétrica, sua importância geopolítica na atualidade e a recente crise com o governo boliviano, em função da nacionalização dos hidrocarbonetos
Bolsa de Valores e globalização
O programa discute o que são as Bolsas de Valores, fazendo um histórico desde o seu surgimento na Bélgica, no século XVII, até os modernos pregões eletrônicos que usam a internet como meio de difusão. São apresentadas as definições básicas, com destaque para os termos pregões, pregões eletrônicos, tipos de índices, commodities, bolsas de futuro e tipos de ações. Por fim é analisada a relação entre o neoliberalismo e a expansão das transnacionais.